8 de ago de 2008

Estudar para quê?


Descubra qual a finalidade de aprender matérias na escola que parecem não ter aplicação no dia-a-dia.
Qualquer professor do ensino fundamental e médio já ouviu, ao menos uma vez, a reclamação: “Para que eu tenho que assistir a essa aula se nunca vou usar isso na vida?”. Equação de segundo grau, gases nobres, quando Napoleão perdeu a guerra, a existência da Pangéia... Todas as matérias possuem temas que parecem não ter utilidade. Mas essas questões são lecionadas com um objetivo mais nobre e complexo.

“Essa transposição é difícil e exige maturidade”, afirma Henrique Lins de Barros, pesquisador do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF). Principalmente porque, além de ensinar a matéria em si, a escola possui outras competências. “A gente não vai à escola para estudar apenas o que deveria ser útil e ter aplicação imediata” afirma Nilson José Machado, professor de matemática de educação da Universidade de São Paulo (USP). “Isso é uma visão absolutamente restrita da função dela”, completa.

Uma das funções primordiais da instituição é ensinar o aluno a se expressar, se comunicar, compreender os fatos, ser um cidadão crítico e a aprender a língua oficial do país – um instrumento fundamental para compreensão. Por isso que todas as matérias dos 12 anos de estudo são relevantes. Caso contrário, a pessoa pode ter dificuldade até para escrever uma carta. “Essa tarefa simples exige saber trabalhar a língua”, diz Machado.

A matriz das aulas de matemática pode ser usada para entender os pixels da máquina fotográfica. Ela corresponde às linhas e colunas da tela digital. Por sua vez, as aulas sobre energia cinética, de física, possuem informações usadas por profissionais das seguradoras de automóveis para calcular como foi a colisão de um carro. “É possível encontrar fora da aula aplicações para as matérias”, diz Barros.

A matemática pode ser até um instrumento de expressão. Machado cita dois exemplos: “Apague, da primeira página do jornal, todos os números que aparecem. Não será possível entender as informações”. Nem ao menos saber de que dia é o jornal. O segundo é: “Se for fazer mestrado no exterior, verá que alunos de outros países se expressam naturalmente na matemática, como se fosse uma língua”. Por exemplo, pode criar facilmente um gráfico sobre um fato que ocorreu, apresentando essa informação de outra maneira.

Essas exemplificações não se restringem apenas para a matemática. Podem ser aplicadas nas próprias aulas de português. “O professor não vai mostrar um poema para o aluno aprender a como conseguir uma namorada”, explica Machado. Assim, ao tentar falar exemplificar para quê pode ser usado tudo que se aprende em uma escola, corre-se o risco de limitar a aplicação das matérias. “Essa maneira de pensar reflete uma visão utilitarista, de que tudo tem um preço. É uma confusão de valor”, acredita.

Fazendo uma metáfora com a faca. Esse talher possui parafusos, cabo e lâmina. A lâmina é a responsável pelo corte, mas sem os parafusos e o cabo essa tarefa não seria tão simples. Como nos estudos, onde um assunto sustenta outros. “Isso dá a possibilidade dos alunos criarem coisas como objetos ou teorias que ainda não existem”. Dessa maneira, cada possui os instrumentos para desenvolver as suas competências pessoais, compreender, argumentar, ter conclusões e tomar as suas decisões.

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