7 de ago de 2008

"The Clone Wars" repete temas e situações do projeto anterior, na televisão


A retomada das "guerras clônicas" por George Lucas perde muito do efeito dramático por contar uma história que, afinal, todos sabem como termina: o desenho anterior, de Genndy Tartakovsky, já havia mostrado como o conflito se amarrava aos eventos de "A Vingança dos Sith", o longa-metragem em que Anakin cede ao Lado Negro da Força e torna-se Darth Vader. "The Clone Wars", portanto, é apenas uma eletrizante aventura do jovem jedi que pouco acrescenta à sua mitologia - a não ser pela novidade da personagem de Ahsoka Tano, sua padawan, criada especialmente para o projeto e que, convenhamos, tem uma existência em contagem regressiva.
Afinal, se ela não é citada em "A Vingança dos Sith" e demais obras correlatas à saga, não é irresponsável apostar que a pobre jedizinha não irá sobreviver à nova série animada. Seja como for, a apresentação de Ahsoka soa como jogada de marketing para atrair uma fatia de público que nunca deu muita bola para "Star Wars": as meninas. Antes que nos atirem pedras, é óbvio que existem fãs femininas da saga; porém, dizer que os homens não são maioria esmagadora entre os fanáticos pela Força é querer tapar os dois sóis de Tatooine com peneira. Com maneirismos de pré-adolescente cheia de estilo, Ahsoka é feita sob medida para chamar esse público.

"The Clone Wars" começa com uma premissa sem pé nem cabeça: Jabba, o Hutt, o conhecido gângster galático de "O Retorno de Jedi" (1983), tem seu filho seqüestrado e pede a ajuda aos jedis e ao Chanceler Palpatine para recuperar seu pimpolho. É algo como se o narcotraficante Carlos Escobar tivesse pedido a ajuda do governo Reagan para a mesma missão. Nem a simples fala de Mace Windu (voz de Samuel L. Jackson), dizendo que não gostaria de negociar com um mafioso, justifica essa proposta de trama tão estapafúrdia.

A seguir, Anakin Skywalker e sua padawan devem descobrir onde está o filho Jabba, sem saber que o Conde Dookan e sua fiel aliada Asajj Ventress são os culpados pelo rapto do Hutt. Tudo parte de um plano para que Jabba culpe a própria República pelo acontecido, e passe a se aliar às forças separatistas lideradas por Dookan. A tramóia em si não é ruim; o que não funciona dramaticamente é a maneira como os jedis são envolvidos, e também a representação de Jabba como um joguete estúpido (ele cai em mentiras que nem Pinóquio contaria). Se fosse tão manipulável assim, o Hutt não teria construído um império criminal temido tanto pela República quanto pelos Separatistas.

Em termos de ação, "The Clone Wars" tem seqüências espetaculares e um belíssimo design, abandonando a caricatura de Genndy Tartakovsky ao flertar com uma saudável dose de realismo nas feições dos personagens. Pena que os duelos entre heróis e vilões não soem tão importantes: de novo, todo mundo sabe que Anakin só derrota Dookan em "A Vingança dos Sith", por exemplo, o que esvazia o drama do embate entre os Lordes Sith - o atual, Darth Tyranus, e o futuro Vader. Com um longa-metragem de cinema com poucas novidades, há a esperança de que a série de TV, menos focada nos personagens de sempre, empolgue mais pela sensação de que qualquer coisa possa vir a acontecer.

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